sexta-feira, 22 de agosto de 2014

ONDAS

 
As ondas são perturbações que se propagam no espaço, ou em meios materiais, transportando energia. De acordo com a sua natureza, as ondas podem ser classificadas em dois tipos:
  1. Ondas mecânicas: são as ondas que se propagam em meios materiais. Por exemplo: as ondas marítimas, ondas sonoras, ondas sísmicas etc. A descrição do comportamento desse tipo de onda é feita pelas Leis de Newton.
  2. Ondas eletromagnéticas: são resultado da combinação de campo elétrico com campo magnético. Sua principal característica é que não precisam de um meio material para propagarem-se. São exemplos desse tipo de onda a luz, os raios X, as micro-ondas, ondas de transmissão de sinais entre outras. Essas Leis são descritas pelas Equações de Maxwell.
Outra classificação das ondas é feita considerando-se a direção de vibração. De acordo com essa característica, uma onda pode ser definida como:
  1. Transversal: quando as partículas do meio de propagação vibram perpendicularmente à direção de propagação da onda. Um exemplo desse tipo de onda é a luz.
  2. Longitudinais: quando as partículas do meio de propagação vibram na mesma direção em que a onda se propaga, como é o caso das ondas sonoras.
Por fim, quanto à direção de propagação, as ondas podem ser classificadas em:
  • unidimensionais: quando se propagam em apenas uma direção, como a onda em uma corda;
  • bidimensionais: se a propagação ocorre em duas direções, que é o caso da onda gerada por uma perturbação na água;
  • ondas tridimensionais: que se propagam em três dimensões, como as ondas sonoras.
Propriedades das ondas
Para estudar uma onda, precisamos conhecer algumas de suas propriedades, tais como: a velocidade de propagação, a amplitude, o período e a frequência. Para uma melhor compreensão dessas propriedades, veja a seguir a representação gráfica de uma onda:
Representação gráfica de uma onda
Representação gráfica de uma onda
O comprimento de onda, que pode ser representado pela letra λ, é a distância entre valores repetidos em uma forma de onda. É calculado com a equação:
λ = c
     f
Sendo:
λ – o comprimento de onda;
c – velocidade da luz no vácuo (possui valor igual a 3.108m/s);
f – frequência da luz.
A partir de λ, podemos calcular a velocidade de uma onda com a seguinte fórmula:
v = λ
     T
Sendo:
v – velocidade da onda;
λ – comprimento da onda;
T – período.
O período é definido como o espaço de tempo necessário para uma onda caminhar um comprimento de onda.
A frequência é o inverso do período:
f = 1
    T
​Por Mariane Mendes
Graduada em Física ondas são perturbações que se propagam no espaço, ou em meios materiais, transportando energia. De acordo com a sua natureza, as ondas podem ser classificadas em dois tipos:

  1. Ondas mecânicas: são as ondas que se propagam em meios materiais. Por exemplo: as ondas marítimas, ondas sonoras, ondas sísmicas etc. A descrição do comportamento desse tipo de onda é feita pelas Leis de Newton.
  2. Ondas eletromagnéticas: são resultado da combinação de campo elétrico com campo magnético. Sua principal característica é que não precisam de um meio material para propagarem-se. São exemplos desse tipo de onda a luz, os raios X, as micro-ondas, ondas de transmissão de sinais entre outras. Essas Leis são descritas pelas Equações de Maxwell.
Outra classificação das ondas é feita considerando-se a direção de vibração. De acordo com essa característica, uma onda pode ser definida como:
  1. Transversal: quando as partículas do meio de propagação vibram perpendicularmente à direção de propagação da onda. Um exemplo desse tipo de onda é a luz.
  2. Longitudinais: quando as partículas do meio de propagação vibram na mesma direção em que a onda se propaga, como é o caso das ondas sonoras.
Por fim, quanto à direção de propagação, as ondas podem ser classificadas em:
  • unidimensionais: quando se propagam em apenas uma direção, como a onda em uma corda;
  • bidimensionais: se a propagação ocorre em duas direções, que é o caso da onda gerada por uma perturbação na água;
  • ondas tridimensionais: que se propagam em três dimensões, como as ondas sonoras.
Propriedades das ondas
Para estudar uma onda, precisamos conhecer algumas de suas propriedades, tais como: a velocidade de propagação, a amplitude, o período e a frequência. Para uma melhor compreensão dessas propriedades, veja a seguir a representação gráfica de uma onda:
Representação gráfica de uma onda
Representação gráfica de uma onda
O comprimento de onda, que pode ser representado pela letra λ, é a distância entre valores repetidos em uma forma de onda. É calculado com a equação:
λ = c
     f
Sendo:
λ – o comprimento de onda;
c – velocidade da luz no vácuo (possui valor igual a 3.108m/s);
f – frequência da luz.
A partir de λ, podemos calcular a velocidade de uma onda com a seguinte fórmula:
v = λ
     T
Sendo:
v – velocidade da onda;
λ – comprimento da onda;
T – período.
O período é definido como o espaço de tempo necessário para uma onda caminhar um comprimento de onda.
A frequência é o inverso do período:
f = 1
    T
​Por Mariane Mendes
Graduada em Física

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

A educadora Marie Curie

Menos conhecida do público, a atuação no ensino de ciências da única mulher a ganhar dois prêmios Nobel merece ser lembrada. O destaque vai para a ênfase dada por ela à experimentação e para a cooperativa que criou para despertar vocações.
A educadora Marie Curie
Uma das personalidades mais conhecidas e admiradas em todo o mundo, Marie Curie dedicou-se e deu especial valor ao ensino de ciências. (foto: Smithsonian Institution Archives)
Há 80 anos, mais precisamente em 4 de julho de 1934, morria Madame Curie – uma das personalidades mais conhecidas e admiradas na história da ciência. Pouco se conhece e se divulga, no entanto, a ligação que tinha a cientista com a educação em ciência e, principalmente, o valor que dava a ela. 
Maria Salomee Sklodowska, mais tarde Marie Curie, nasceu em 1867 em Varsóvia, Polônia, em um ambiente familiar rico em cultura e educação. Marie era filha de professores conhecidos em Varsóvia. Sua mãe, Bronsilawa Boguska, era professora primária e dava aulas de piano e canto, mas morreu jovem, quando Marie Curie tinha apenas 10 anos. Seu pai, Władysław Skłodowski (1832-1902), era um admirado professor secundário de física e matemática, influente politicamente entre os estudantes, em um período de resistência à dominação russa sobre a Polônia. 
O pai foi a principal influência de Marie Curie e o desencadeador de sua paixão pela ciência
O pai foi a principal influência de Marie Curie e o desencadeador de sua paixão pela ciência. Conta-se que, embora tenha sido sempre excelente aluna e primeira colocada em todas as matérias, o contato mais íntimo de Marie com a ciência, em especial com a ciência experimental – em que se mostrou tão competente no futuro –, se deu em casa e por um golpe negativo do destino.
Proibido de ensinar ciência experimental pelas autoridades russas (a Polônia na segunda metade do século 19 estava sob domínio russo), Władysław Skłodowski transferiu os instrumentos de seu laboratório de ensino de física para casa, onde passou a enriquecer a cultura da filha também nesse aspecto, estimulando-a ainda jovem na atitude científica essencial: buscar conhecimento por meio da experimentação. 
Outro aspecto interessante e pouco apresentado da biografia de Marie Curie, que diz respeito diretamente à educação, é o fato de ela, desde muito cedo, ter se dedicado ao ensino.
Em 1885, aos 18 anos – muito antes, portanto, de suas conquistas acadêmicas –, Marie Curie driblou as dificuldades financeiras vividas pela família, tornando-se professora particular (preceptora) de filhos de famílias ricas na Polônia. 
Marie arriscou-se politicamente, ao manter uma sala de aula improvisada e ensinar a língua e a cultura polonesas, proibidas pelas autoridades russas, a crianças e jovens camponeses
Nessa oportunidade, arriscou-se politicamente, ao manter uma sala de aula improvisada e ensinar a língua e a cultura polonesas, proibidas pelas autoridades russas, a crianças e jovens camponeses. Também se envolveu, juntamente com sua irmã Bronislawa Sklodowska (1865-1939), com a ‘Universidade Volante’, uma escola noturna informal e ilegal criada para estudantes poloneses, principalmente mulheres, impedidos de seguir cursos regulares por restrições das autoridades russas.  
Aliás, foi também por conta da proibição de as mulheres frequentarem universidades que Marie Curie mudou-se para a França, para satisfazer seu desejo de se aprofundar nos estudos. 
Mais tarde, já aos 33 anos e enfronhada na pesquisa científica, Marie Curie tornou-se novamente professora, dessa vez na Escola Secundária de Sévres, onde era comum professores oriundos da Universidade de Sorbonne e do Collége de France darem aulas, embora fosse raríssimo encontrar docentes mulheres. 
Marie Curie foi a primeira mulher a participar do corpo docente da Sorbonne e, segundo consta dos relatos de suas ex-alunas, inovou no ensino de física ao ampliar o tempo de suas aulas, produzir seu próprio material de ensino, levar suas alunas para conhecer laboratórios de pesquisa, inclusive aquele onde ela trabalhava com o primeiro marido, o físico Pierre Curie (1859-1906),  e pôr as meninas em contato direto com equipamentos e experimentos – atividade antes restrita aos rapazes.

Despertar vocações

Mas de todas as experiências pedagógicas de Marie Curie, há uma que, embora não seja com frequência mencionada em suas biografias, deveria ser mais destacada e enaltecida. Trata-se da cooperativa de ensino, criada por iniciativa dela e de um grupo de amigos e destinada a aprofundar os conhecimentos culturais e ensinar ciência, sob uma perspectiva experimental, aos próprios filhos.
A ideia, como foi mais tarde relatada pela própria filha de Marie, Irene Joliot-Curie (1897-1956), era despertar vocações científicas, mas fazê-lo fugindo da, já tradicional na época, apresentação teórica da ciência.
Na Cooperativa, como era chamada a escola informal por alunos e professores, as próprias crianças realizavam as experiências, orientadas e estimuladas pelos professores – e os professores, nesse caso, não poderiam ser melhores. Entre eles estavam, além de Marie e Pierre Curie, os físicos Jean Baptiste Perrin (1870-1942) e Paul Langevin (1872-1946). 
Também participaram da iniciativa, como professores de francês, literatura ou história, Marie Henriette Mouton, Henriette Perrin e Alice Chavannes, além do escultor Jean Magrou (1869-1936), que se encarregava das aulas de desenho e modelagem. 
Alunas de Marie Curie
Tirada aproximadamente entre 1910 e 1915, a foto mostra Marie com quatro de suas estudantes. Ela foi a primeira mulher a dar aulas de física na Universidade de Sorbonne, na França. (foto: Library of Congress)
A biografia de Marie Curie é fascinante e deveria ser ainda mais conhecida em seus muitos e variados aspectos por todo aquele que é professor ou interessado em ciência. Também deveria ser mais explorada com os alunos. 
A biografia de Marie Curie é fascinante e deveria ser ainda mais conhecida em seus muitos e variados aspectos por todo aquele que é professor ou interessado em ciência
A parte árdua, romântica e dramática da história – aquela que envolve a descoberta do elemento rádio, o casamento e a colaboração científica com Pierre Curie, assim como a sua morte trágica – pode ser conhecida no clássico filme hollywoodiano Madame Curie. A produção é de 1943, baseou-se na biografia escrita por sua filha Ève Curie (1904-2007) e tem como atores principais Greer Garson (Marie) e Walter Pidgeon (Pierre). Dirigida por Paul Osborn e Paul Rameau, contou também com o auxílio do escritor Aldous Huxley (1894-1963), o que certamente contribuiu para a veracidade e qualidade do filme. 
Mas se o interesse pela obra de Marie Curie for pedagógico ou didático, há outra dica interessante. Vale, nesse caso, ler Aulas de Marie Curie, coletânea das aulas de física dadas por Marie às crianças da Cooperativa, anotadas e comentadas, em 1907, por Isabelle Chavannes, uma das alunas na oportunidade. 
As aulas de Madame Curie abordam questões essenciais da física. Nelas, por exemplo, as crianças são instigadas a distinguir o vácuo do ar; a descobrir que o ar pesa sobre os ombros; a compreender como a água chega à torneira ou, ainda, a descobrir como fazer flutuar os barcos.
Isabelle Chavannes tinha apenas 13 anos quando participou da Cooperativa. Era uma das crianças mais velhas da turma e tornou-se mais tarde engenheira química do grupo industrial francês Ugine Kuhlmann. Graças a suas detalhadas anotações, podemos hoje perceber qual o método usado por Marie Curie para despertar a curiosidade e fazer as crianças estudarem. 
Da leitura das anotações de Isabelle, depreende-se que, de modo geral, nada era oferecido por Madame Curie às crianças ‘de bandeja’. O que de fato ela fazia era relativamente simples: instigava, encorajava e orientava as crianças a pensar e a experimentar. 


Postado por: ALUNAS DO PROJETO "TECENDO OS FIOS DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO"

Curso de Astronomia







10 Curiosidads Científicas

 

10. Gotas de chuva

formato das gotas 3
As gotas de chuva não têm aquele formato de lágrima, como são sempre desenhadas. Na verdade elas são esféricas.

9. E melhor exercício!

tipos_de_beijos
Uma pessoa usa 14 músculos para sorrir e 29 para beijar. Por isso, beijar queima 12 calorias e ajuda a prevenir rugas!

8. Sexo pode deixar os seios das mulheres maiores

Rapazes, fiquem de olho: os seios das mulheres podem aumentar 25% durante as preliminares do ato sexual.

7. O champanhe não espuma por causa do dióxido de carbono

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A espuma é causada por partículas de poeira. Em um copo ou em um ambiente perfeitamente limpo, o champanhe iria parecer um vinho normal.

6. Digestão no estômago?

digestão
Que nada! A digestão ocorre, em sua maior parte, no intestino delgado. Esse é o motivo de algumas pessoas com bulimia continuarem obesas.

5. Xixi ou água?

Cerca de 95% do xixi é constituído de água. Os 5% restantes são hormônios não absorvidos pelo organismo e substâncias eliminadas do sangue.

4. Vai um sangue aí?

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Na verdade, o líquido vermelho que sai da carne mal passada é a mioglobina, que é um parente do sangue. Todo o sangue do animal morto sai do organismo dele antes da carne ser vendida.

3. Infinito na cabeça!

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Uma pessoa adulta e sem calvície tem cerca de três milhões de fios de cabelo.

2. Plástico é melhor?

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O processo todo de fabricação de uma sacola de papel gasta mais energia do que a fabricação das sacolas de plástico. Então por mais que a degradação da sacola plástica seja pior, esse tipo de material desgasta menos o meio ambiente.

1. Olhe bem!

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Na verdade sua pelagem não é branca – é transparente. Sua pele é negra e, quando é mantido em ambientes úmidos, ele pode ficar verde, por causa de algas.

Postado por: ALUNAS DO PROJETO TECENDO OS FIOS DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO.

Mulheres na Física: Lise Meitner

 
 
De 23 a 25 de maio de 2005, aconteceu, no Rio de Janeiro, o evento 2nd Iupap International Conference on Women in Physics, no qual se discutiu, além dos trabalhos científicos apresentados, o papel e a contribuição das mulheres no ensino e na pesquisa em Física, no mundo. Assim, quero aproveitar a oportunidade para, em poucas linhas, contar sobre o trabalho de uma extraordinária física, pouco conhecida entre a nova geração de físicos. Seu nome é Lise Meitner (na língua de Goethe Lise é pronunciado como Lizê), que teve que transpor inúmeras dificuldades para inicialmente se formar em física e depois conseguir um emprego remunerado (de 1907 a 1912 ela trabalhou sem remuneração, como pesquisadora convidada). Lise conseguiu angariar o respeito e o reconhecimento dos seus pares, pelo alto nível da Física que ela produziu, tornando-se uma autoridade mundial em Física Nuclear e com reconhecida liderança no Wilhelm Kaiser Institüt de Berlim.
Em 1944, a Real Academia de Ciências da Suécia concedeu o Prêmio Nobel de Química a Otto Hahn, em reconhecimento pela sua descoberta da fissão nuclear (for his discovery of the fission of heavy nuclei), mas não premiou Lise Meitner, que colaborou com Hahn no experimento que levou à descoberta do fenômeno e que, logo depois, juntamente com o seu sobrinho, o também físico Otto Robert Frisch, interpretou e explicou corretamente o processo de fissão do urânio-235 (235U), em um artigo seminal, de três páginas apenas, publicado em 1939 na revista Nature.
Lise Meitner nasceu em 7 de novembro de 1878, foi a terceira dos sete filhos de uma família judia de Viena (Áustria). Ainda jovem, Lise converteu-se ao protestantismo para fugir dos preconceitos raciais vigentes na sociedade européia da época, que se somavam aos preconceitos que sofriam as mulheres que se dedicavam a atividades intelectuais. No entanto, a conversão não foi de nenhuma utilidade quando, em março de 1938, a Áustria e a Alemanha, então sob regime nazista, se juntaram para formar um único país (Anschluss). As leis raciais anti-semitas válidas para cidadãos alemães foram aplicadas também para os austríacos, e Lise teve que fugir para a Suécia para não ser deportada para algum campo de concentração, onde teria sido certamente assassinada.
Devido às restrições impostas pelas leis austríacas para o acesso das mulheres ao ensino superior, Lise só conseguiu entrar na Universidade de Viena em 1901. Depois de assistir às aulas de Ludwig Boltzmann, ela percebeu que a Física era a sua vocação. Otto Frisch, escreveu sobre esse fato, com Boltzmann ela teve a visão de que a Física era o campo de batalha para a derradeira verdade, visão essa que nunca perdeu [1].
Obtido o doutorado em 1906, no ano seguinte Lise foi a Berlim com a intenção de trabalhar com Max Planck. Mas devido a uma série de circunstâncias ela começou a trabalhar com o químico Otto Hahn, que a incumbiu de pesquisar as propriedades físicas das substâncias radioativas, enquanto Hahn pesquisaria as propriedades químicas. A colaboração durou cerca de 30 anos, cada um chefiava um departamento no Instituto Kaiser Wilhelm de Química, em Berlim. Juntos, ou independentemente, obtiveram importantes resultados no então novo campo da Física Nuclear, conseguindo competir, com sucesso, com físicos de renome como Irène Curie, Frédéric Joliot e outros.
Com certeza, seu mais importante trabalho, pelo qual será sempre relembrada, diz respeito à descoberta da fissão nuclear. In 1934, o físico Enrico Fermi havia produzido isótopos radioativos bombardeando núcleos com nêutrons, mas surgiu um enigma com o urânio. Como resultavam muitas espécies de núcleos, a pergunta natural que se fazia era: poderia algum deles ser um elemento transurânico (número atômico maior que 92)? Meitner convenceu Hahn e seu assistente Fritz Strassmann a trabalharem juntos em um novo projeto cujo objetivo visava verificar se isso era possível.
Após a sua chegada à Suécia no verão de 1938, na qualidade de refugiada, Meitner conseguiu uma posição no instituto de pesquisa do físico Manne Siegbahn, em Estocolmo. Sua biógrafa conta que sem ser convidada a se juntar ao grupo de Siegbahn, nem receber recursos para fazer sua própria pesquisa, tinham-lhe cedido apenas um espaço para montar um laboratório, mas ela não tinha colaboradores, equipamentos ou suporte técnico, nem mesmo seu próprio molho de chaves... [1].
Enquanto Hahn e Strassmann tentavam identificar seus elementos transurânicos, Meitner mantinha-se informada dos seus avanços na pesquisa pela correspondência que mantinha com Hahn.
Em 13 de novembro de 1938 Hahn foi se encontrar com Meitner em Copenhagen, Dinamarca, e acatando a sua sugestão, Hahn e Strassmann fizeram mais alguns novos experimentos com um produto do urânio que eles pensavam que fosse um isótopo do elemento rádio (Z = 88), quando então verificaram que, de fato, se tratava de bário (Z = 56). Eles publicaram os resultados na revista Naturwissenschaften (número de 6 de janeiro de 1939) sem incluir o nome de Meitner como co-autora. Após tomarem conhecimento dos resultados, Meitner e Frisch entenderam imediatamente a natureza física do fenômeno; utilizando o modelo da gota líquida para o núcleo atômico, proposto anteriormente por Niels Bohr, eles conseguiram dar uma explicação teórica convincente. Eles batizaram o processo com o nome fissão nuclear. A palavra fissão foi emprestada da biologia, que é usada para descrever a divisão de uma célula em duas outras. O trabalho apareceu na revista Nature [2], do qual transcrevo trechos, traduzidos para o português, que julguei mais pertinentes para entender a importância do artigo:
...À primeira vista, este resultado [de Hahn e Strassmann] parece difícil de entender. A formação de elementos bem abaixo do urânio fora considerada anteriormente, mas sempre foi rejeitada por razões físicas, na medida em que a evidência química não era totalmente clara. A [suposição] emissão, num curto período de tempo, de um grande número de partículas carregadas pode ser descartada pela pequena penetrabilidade da 'barreira coulombiana', como sugerido pela teoria do decaimento alfa, de Gamow.
...Por conta de sua densidade saturada e forte energia de troca, espera-se que partículas em um núcleo pesado se movam de forma coletiva com alguma semelhança com o movimento de uma gota líquida. Se o movimento se tornar suficientemente violento, pela adição de energia, tal gota poderia se dividir em duas gotas menores.
...Parece, portanto, possível que o núcleo de urânio tenha pequena estabilidade de forma, e que possa, após captura de um nêutron, dividir-se em dois núcleos de tamanhos aproximadamente iguais (...) Esses dois núcleos se repelirão e ganharão uma energia de cerca de 200 MeV, como calculado pelo raio e carga nucleares (...) Todo o processo de 'fissão' pode ser descrito de forma essencialmente clássica, sem ter que considerar o 'efeito túnel' da mecânica quântica, que seria extremamente pequeno, por conta das grandes massas envolvidas.
Embora mais tarde asseverou-se que os efeitos quânticos são importantes, Meitner e Frisch conseguiram captar toda a essência do processo. A estimativa da energia liberada (200 MeV) na fissão de um único núcleo de 235U mostrou-se correta, embora não toda ela se transforme em energia cinética dos fragmentos. Mas o ponto mais importante foi o de conjecturar a instabilidade de forma do núcleo atômico, e que sua fissão seria desencadeada pela absorção de um nêutron. Presumivelmente, a fissão do núcleo atômico foi obtida anos antes pelo próprio Hahn e por outros grupos de pesquisa na França e na Inglaterra, mas nunca essa possibilidade foi aventada como resultado dos experimentos, pois o pensamento dominante era a obtenção de elementos transurânicos
No final de 1939, após o início da Segunda Grande Guerra (1939-1945), em seu refúgio em Manchester, Inglaterra, Frisch e Rudolf Peierls - outro físico fugido da Alemanha - fizeram os primeiros cálculos estimativos, verificando a plausibilidade da fabricação de uma bomba atômica a partir da energia liberada na fissão de cerca de 10 kg de 235U.
Atualmente, historiadores da Ciência entendem que a explicação do fenômeno de fissão requereu de Meitner e de Frisch uma profunda percepção física, da mesma magnitude da descoberta de Hahn e de Strassmann. Mas, supõe-se que a abrupta interrupção da colaboração científica de Meitner, com Hahn e Strassmann e, mais ainda, o seu exílio e isolamento científico, devem ter criado uma ''falta de compreensão'', por parte do comitê do prêmio Nobel, da importância de sua contribuição para o processo de elaboração e entendimento, a nível teórico-conceitual, dos resultados do experimento. O ''erro'' do comitê Nobel, nunca foi reconhecido pelos responsáveis, mas em 1966 ele foi parcialmente corrigido, quando Hahn, Meitner e Strassmann receberam o Prêmio Fermi, láurea concedida nos Estados Unidos, pelo reconhecimento do trabalho dos três na descoberta da fissão nuclear.
Já aposentada, em uma entrevista perguntaram a Lise como e por que tanto ela como Hahn não desenvolveram alguma doença relacionada com a exposição à radiação, já que tinham manipulado materiais radioativos por muitos anos. A sua resposta foi, porque eu sempre insisti para que todos os membros que trabalhavam no laboratório lavassem muito bem as mãos e várias vezes ao dia, ao que Hahn, que estava ao seu lado, completou: ...e até hoje não perdi esse hábito.
Lise Meitner morreu em 27 de outubro de 1968, poucos dias antes de completar 90 anos de idade. Nunca casou e não deixou descendentes.

Salomon S. Mizrahi
Departamento de Física - UFSCar
São Carlos, SP

Referências
[1] Ruth Lewin Sime, Lise Meitner: A Life in Physics (University of California Press, 1996). Ver também Sharon Bertsch McGrayne, Mulheres que Ganharam o Prêmio Nobel em Ciências (Editora Marco Zero, São Paulo, 1995) e Elisabeth Crawford, Ruth Lewin Sime and Mark Walker, Physics Today 50, 26 (1997).
[2] L. Meitner and O. Frisch, Nature 143, 239 (1939).


Postado por: ALUNAS DO PROJETO TECENDO OS FIOS DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO